quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Polícia: quem não precisa?

POR FRANCISCO FERNANDES CASTRO FILHO




É duro admitir: precisamos de polícia.

Sem a força policial Salvador virou o caos. Quem viu “Ensaio sobre a cegueira” (belíssimo romance do José Saramago, filmado liricamente pelo Fernando Meirelles) e tinha dúvida sobre se a barbárie pudesse se instalar de forma tão devastadora como na ficção, nunca imaginaria acontecer 142, 153, 180 assassinatos em menos de duas semanas na cidade do Axé, 1/3 deles cometidos, segundo a imprensa, por milícias policiais. Policiais criminosos que executaram as vítimas com tiros na cabeça. É pior que qualquer guerra!!!

A escalada estatística das atrocidades – sim, porque a matança é só (só??) o mais violento dos crimes – inflama a greve, acirra a disputa  e o rastilho dela se espalha por outros estados. Onde a gente vai parar?

A polícia é um braço da sociedade. É o braço a quem foi dado o direito de aplicar a violência para manter a ordem e resguardar a civilidade (e veja só a situação das Forças Especiais: eles são uma força de polícia para usar da violência para conter... a polícia). A polícia que esta aí nem é aquela que gostaríamos de ter: não é educada, nem bem treinada, é estúpida, violenta em excesso e mal aparelhada. Mas é a que temos – e esta é a dura realidade – e é ela que impede que todas as cidades se tornem a Salvador dos últimos dias.

Quanto se deve pagar a alguém para viver assim? Quanto uma pessoa imagina ganhar para ser um policial? Onde os sucessivos governos têm estado com a cabeça para supor que R$ 1.300,00 é um salário pagável para alguém que exerce a função de polícia? Esse valor pode até ser o menor dentre os salários de todos os estados, mas o maior contingente da polícia recebe mesmo uma “merreca” para sustentar a família diante do risco brutal que enfrenta para exercer uma função tão fundamental para a sociedade.

Não vai ser fácil resolver a equação desse problema: não há mágica no orçamento dos estados que permita resolver a questão rapidamente. Os grupos de pressão já estão agindo: de vereadores a senadores, de jornalistas a ativistas, de sindicalistas a reivindicadores legítimos, dos “policiais criminosos” aos “bons policiais”... O caldeirão das pressões está borbulhando. Quem terá criatividade e coragem de encaminhar uma solução efetiva? Como vamos tratar dessa questão no próximo ano? Daqui há três ou cinco anos? Na próxima geração?

Estas, dentre outras perguntas, são dirigidas a quem precisa de polícia.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Guster - Keep It Together

Já escrevi sobre Guster, anteriormente na minha vida, e acuso meu erro de ter dito que apenas o álbum “Ganging Up The Sun” era realmente bom. Às vezes é necessário aprender a gostar, e foi o que aconteceu comigo.

 “Keep It Together” é o quarto álbum da banda. Lançado em 2003, o marco deste CD é a substituição da percussão, que marcava todos os trabalhos anteriores, pela bateria. A entrada da “batera” permitiu que eles deixassem um pouco de lado as gravações acústicas e passassem explorar mais sons, mais instrumentos, o que sem dúvida nenhuma enriqueceu muito as canções. As faixas são, ao mesmo tempo, bem diferentes e bem homogêneas; nunca saindo da característica do álbum, mas também não se tornando repetitivas.  O trabalho com as vozes continua extremamente gostoso de ouvir, especialmente em “Jesus On The Radio” (faixa que eles costumam cantar “a capella” em shows).

Recomendo para qualquer um que pegue o ônibus da meia noite de São Paulo para Curitiba, que faça fluxos de pensamento dotados de emoção quando sonorizados por um fone no ouvido e que goste dessa sensação. Sabe quando você se pega olhando pela janela, enquanto a estrada passa, e começa a pensar sobre a vida das pessoas naquelas casinhas acesas, sobre o fim do mundo, sobre a infinidade (ou não) do universo, ou sobre sua namorada? Então, é isso aí.

Acho que o que me trás a sensação de que esse álbum seria uma boa trilha sonora da minha vida é o fato de tê-lo descoberto pelo filme “Penetras Bons de Bico” com a faixa “I Hope Tomorrow Is Like Today”, e, principalmente, por ter ouvido a faixa “Keep It Together”,que leva o nome do CD, numa das séries que mais utilizou o recurso  musical para emoção: The O.C. (Dica: 1ª temporada, episódio 8).

.Diane

.Careful

.Jesus On The Radio

.Keep It Together

.I Hope Tomorrow Is Like Today

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Instituto - Coleção Nacional

Em 2009, fui com amigos a um bar na Inácio Pereira da Rocha para ver “um cover de Tim Maia racional”. Mal sabia eu que iria conhecer um projeto de primeira qualidade, que envolvia sim covers de Tim Maia Racional, mas, mais do que isso, era uma seleção de músicos fazendo um tributo sensacional.

Esse primeiro show da Banda Instituto que tive o prazer de acompanhar contou com a presença de Seu Jorge e Céu, além dos parceiros regulares da banda no projeto: Thalma de Freitas, B-Negão, o rapper Kamal e o tecladista Carlinhos da Fé. Incrível.

A banda em si, não conta com nenhum destes nomes famosos. No único CD deles que encontrei, chamado Coleção Nacional de 2002, há participações especiais de Sabotagem, Rappin Hood e outros rappers e músicos famosos. O álbum é uma combinação perfeita do rap e do hip hop com o som instrumental da banda. Destaco aqui a faixa "Dama Tereza", cantada por Sabotagem rimando tudo em "i". Sem sombra de dúvidas, a melhor.

Eles também já fizeram diversos trabalhos para cinema e televisão (como a produção musical da série Alice da HBO), e realmente honram o nome de Instituto, com uma excelência fora do comum.

.Beatboxsamba

.Dama Tereza (com Sabotagem)

.Dia de Desfile (com Rappin Hood)

.Tabócas (com Z'África Brasil)

.#1

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Blink 182 - Neighborhoods

Seguindo uma (dentre muitas) de minhas características mais irritantes, resolvi recomeçar o blog do zero, algo que costumo realizar com frequência em diversos aspectos da minha vida. Portanto, para simbolizar este reinício, pensei em selecionar um álbum emblemático, que representasse o esforço e o suor de um retorno! Considerei fazer uma piada com o Restart mas não colou... então direto e reto: escolhi o último álbum do Blink.

Assim como eu, uma das minhas bandas prediletas retornou de um longo hiato, e, apesar de eles ainda não estarem na melhor forma, o álbum “Neighborhoods” é legalzinho; bem assim, no diminutivo mesmo. Tive trabalho para escolher as cinco músicas que colocaria no post, mas consegui. A verdade é que esperar aquele Blink irreverente de antes é um erro. Os caras mudaram e suas músicas mudaram.

A faixa Wishing Well é sem dúvida minha favorita, pois se assemelha muito com as músicas do "Take Your Pants Off and Jacket" (o CD dos semáforos). Segundo meu irmão, Hearts All Gone lembra o começo de carreira do Blink (para quem conhece os álbuns "Buddha" e "Chesire Cat"). O resto do álbum se enquadra no estilo que a banda vinha seguindo antes de terminar, saindo daquela temática adolescente e descontraída, partindo para canções mais sérias e até depressivas . Que pena que o tempo passa... mas ainda tá bacaninha.

.Wishing Well
.This Is Home

.Kaleidoscope
.After Midnight
.Hearts All Gone

sexta-feira, 25 de março de 2011

Uma Não Seis!


Não, o título deste blog não tem nenhum significado especifico ou obscuro que qualquer pessoa possa imaginar. É apenas uma frase, um grito, resultado de uma experiência pessoal num momento de grande felicidade e alto teor alcoólico. Uma não, seis! Seis cervejas pra ser mais específico, mas aí não fica tão legal.